A diferença entre ser e se tornar - mini biografía tradutória
Queria muito lembrar quando foi, exatamente, que me tornei tradutora.
Certamente não foi no dia da minha formatura.
Também não foi depois de ter um livro traduzido e publicado.
Também não foi no dia em que, num congresso pediram para que os tradutores levantassem a mão e um colega me obrigou a levantar a mão. Eu não me sentia tradutora.
No dia que defendi o mestrado me tornei acadêmica e pesquisadora.
No dia que entrei numa sala de aula de graduação para dar aula me tornei professora.
Hoje sinto que sou tudo isso.
Mas tradutora, como isso aconteceu?
Aos 7 anos ganhei minha primeira fita cassete, o álbum Millenium dos Backstreet Boys. Na época tinha começado minha escolarização bilíngue num colegio británico e já tinha uma leve noção de inglês (comecei meus estudos aos 6 anos) e a primeira coisa que fiz depois de apertar o play foi pegar o encarte e ler as letras das músicas. Lembro perfeitamente da agonia que foi não entender grande parte do que as músicas tentavam comunicar. Imediatamente peguei um dicionário e comecei a traduzir uma por uma delas - em algum lugar ainda deve existir minha pasta de músicas traduzidas. Gostei tanto de saber, de entender, que virou um costume imprimir (ou pedir para meu pai imprimir) as letras de todas as músicas que eu gostava que pouco tempo depois precisei de uma pasta arquivo para organizar alfabeticamente por artista todo o material traduzido.
Aos 9 anos fui transferida para um colegio francês e comecei a estudar a língua mas nunca me dediquei demais. Continuei traduzindo músicas do inglês avidamente e ficava muito orgulhosa de saber exatamente o que estava cantando quando acompanhava as músicas.
Aos 17 anos voltei a estudar francês e comecei italiano, já era fluente em inglês e português, começar mais uma língua parecia o caminho obvio e claro, voltei a imprimir e traduzir músicas o tempo todo em todas as línguas que sabia, fiquei obcecada com dicionários e pegar as traduções na internet não parecia muito certo, eu queria aprender a língua, adquirir vocabulário e a tradução pareceu o método mais eficaz para mim.
Nunca perdi o costume de traduzir músicas, embora hoje em dia crie versões improvisadas e não anote nada, sempre gosto de saber o que estou ouvindo. Sendo assim, não consigo dizer aqui quando foi que fiz minha primeira tradução, ela sempre esteve presente na minha vida seja por gosto ou por necessidade, fez parte de quem eu sou desde que me entendo por gente.
Quando me formei em 2015 não sabia o que queria ser, fiz letras porque parecia certo, mas não era o que eu queria, era o que eu sabia fazer. Quando entrei no mestrado eu soube que queria ser tradutora, nunca passou pela minha cabeça que traduzir é o que eu sempre fiz.
Hoje gosto de pensar que nasci tradutora, cresci tradutora e que não é um título que define o que eu quis para mim pelo impulso, pela curiosidade, pelo amor pelas palavras em diversas línguas, pela necessidade de querer entender tudo, sempre.
Não quero dizer aqui que tradutor não se faz, se nasce, mas eu nasci tradutora e muitos anos depois me dei conta. Hoje estudo o que eu já sou e penso sobre o que já faço desde que aprendi a escrever. Leio sobre o que outros escreveram antes de mim, sobre mim.
Nunca vou lembrar quando me tornei tradutora, porque não precisei me tornar. Mas foi apenas recentemente que me senti tradutora e posso dizer que é isso que sou. É mais que uma profissão, é algo no meu âmago, no espaço entre meu peito e meu estômago que me puxa a traduzir, o famoso impulso tradutório.
Sempre me conduzi entre as palavras, naveguei entre diversos idiomas e minha sede ainda não foi totalmente saciada, espero que nunca seja, espero nunca deixar de aprender. E talvez seja isso que nos move como tradutores, o desafío de desbravar significados e de levar a outros coisas que até passar por nossas mãos, eram inacessíveis. Espero sempre ser tradutora de profissão, assim como no meu intimo, sempre serei.
Certamente não foi no dia da minha formatura.
Também não foi depois de ter um livro traduzido e publicado.
Também não foi no dia em que, num congresso pediram para que os tradutores levantassem a mão e um colega me obrigou a levantar a mão. Eu não me sentia tradutora.
No dia que defendi o mestrado me tornei acadêmica e pesquisadora.
No dia que entrei numa sala de aula de graduação para dar aula me tornei professora.
Hoje sinto que sou tudo isso.
Mas tradutora, como isso aconteceu?
Aos 7 anos ganhei minha primeira fita cassete, o álbum Millenium dos Backstreet Boys. Na época tinha começado minha escolarização bilíngue num colegio británico e já tinha uma leve noção de inglês (comecei meus estudos aos 6 anos) e a primeira coisa que fiz depois de apertar o play foi pegar o encarte e ler as letras das músicas. Lembro perfeitamente da agonia que foi não entender grande parte do que as músicas tentavam comunicar. Imediatamente peguei um dicionário e comecei a traduzir uma por uma delas - em algum lugar ainda deve existir minha pasta de músicas traduzidas. Gostei tanto de saber, de entender, que virou um costume imprimir (ou pedir para meu pai imprimir) as letras de todas as músicas que eu gostava que pouco tempo depois precisei de uma pasta arquivo para organizar alfabeticamente por artista todo o material traduzido.
Aos 9 anos fui transferida para um colegio francês e comecei a estudar a língua mas nunca me dediquei demais. Continuei traduzindo músicas do inglês avidamente e ficava muito orgulhosa de saber exatamente o que estava cantando quando acompanhava as músicas.
Aos 17 anos voltei a estudar francês e comecei italiano, já era fluente em inglês e português, começar mais uma língua parecia o caminho obvio e claro, voltei a imprimir e traduzir músicas o tempo todo em todas as línguas que sabia, fiquei obcecada com dicionários e pegar as traduções na internet não parecia muito certo, eu queria aprender a língua, adquirir vocabulário e a tradução pareceu o método mais eficaz para mim.
Nunca perdi o costume de traduzir músicas, embora hoje em dia crie versões improvisadas e não anote nada, sempre gosto de saber o que estou ouvindo. Sendo assim, não consigo dizer aqui quando foi que fiz minha primeira tradução, ela sempre esteve presente na minha vida seja por gosto ou por necessidade, fez parte de quem eu sou desde que me entendo por gente.
Quando me formei em 2015 não sabia o que queria ser, fiz letras porque parecia certo, mas não era o que eu queria, era o que eu sabia fazer. Quando entrei no mestrado eu soube que queria ser tradutora, nunca passou pela minha cabeça que traduzir é o que eu sempre fiz.
Hoje gosto de pensar que nasci tradutora, cresci tradutora e que não é um título que define o que eu quis para mim pelo impulso, pela curiosidade, pelo amor pelas palavras em diversas línguas, pela necessidade de querer entender tudo, sempre.
Não quero dizer aqui que tradutor não se faz, se nasce, mas eu nasci tradutora e muitos anos depois me dei conta. Hoje estudo o que eu já sou e penso sobre o que já faço desde que aprendi a escrever. Leio sobre o que outros escreveram antes de mim, sobre mim.
Nunca vou lembrar quando me tornei tradutora, porque não precisei me tornar. Mas foi apenas recentemente que me senti tradutora e posso dizer que é isso que sou. É mais que uma profissão, é algo no meu âmago, no espaço entre meu peito e meu estômago que me puxa a traduzir, o famoso impulso tradutório.
Sempre me conduzi entre as palavras, naveguei entre diversos idiomas e minha sede ainda não foi totalmente saciada, espero que nunca seja, espero nunca deixar de aprender. E talvez seja isso que nos move como tradutores, o desafío de desbravar significados e de levar a outros coisas que até passar por nossas mãos, eram inacessíveis. Espero sempre ser tradutora de profissão, assim como no meu intimo, sempre serei.
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